quinta-feira, 31 de julho de 2014

Brasil inaugura primeira fábrica de mosquitos da dengue transgênicos

Empresa Oxitec produz inseto capaz de reduzir transmissão da doença.
Unidade em Campinas gera até 2 milhões de mosquitos por 
semana.

Mosquito Aedes aegypti macho fabricado pela Oxitec, unidade criada em Campinas, interior de São Paulo (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Mosquito Aedes aegypti macho fabricado pela Oxitec, unidade criada em Campinas, interior de São Paulo (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
A empresa britânica Oxitec inaugurou, nesta terça-feira (29), a primeira fábrica de mosquitos Aedes aegypti transgênicos do Brasil, uma tecnologia que, se aprovada, pode ajudar no combate da dengue no país. A unidade, instalada em Campinas, tem capacidade de produzir 500 mil insetos por semana. No ápice de produção, esse número pode saltar para 2 milhões de machos a cada sete dias.
A tecnologia foi desenvolvida em 2002, no Reino Unido. No laboratório, ovos dos Aedes aegyptireceberam uma microinjeção de DNA com dois genes, um para produzir uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.

Os machos, quando liberados na natureza, procriam com as fêmeas –responsáveis pela incubação e transmissão do vírus da dengue. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.

Testes iniciados em 2011 na cidade de Juazeiro, na Bahia, mostraram redução acima de 80% na população selvagem. Alguns experimentos apontaram resultados de 93% de redução do Aedes aegypti que vive na natureza. O uso dos insetos da Oxitec no Brasil foi feito em parceria com a organização Moscamed.
Fábrica em Campinas tem capacidade de produzir 500 mil mosquitos da dengue transgênicos por semana (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Fábrica pode produzir 500 mil mosquitos
por semana (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
Como funciona
A ideia da Oxitec é ser contratada pelo poder público para fornecer um pacote de serviços, que vai desde o treinamento de agentes públicos ao combate de possíveis epidemias de dengue.

A contratação depende da aprovação da Agência de Vigilância Sanitária, a Anvisa, que ainda estuda autorizar a comercialização deste tipo de serviço. Caso isto ocorra, o Brasil poderá ser o primeiro país a aprovar o uso de Aedes aegypti transgênico, em caráter comercial, para combater a dengue.
No entanto, testes podem ser realizados em algumas cidades, como Piracicaba e Campinas, ambas no interior paulista.

Segundo Glenn Slade, diretor global de desenvolvimento de negócios da empresa, uma cidade de 50 mil habitantes terá de desembolsar de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões por ano para aplicar os serviços, e R$ 1 milhão pelos anos seguintes, para manutenção dos insetos. Ele afirma ainda que novas unidades devem ser construídas no Brasil.
O processo de liberação é dividido em três fases. Em um plano simulado para um município de 10 mil habitantes, na primeira fase, chamada de supressão, são liberados 2,5 milhões de insetos por semana (250 para cada habitante). Na consolidação, o total de lançamentos cai para um milhão por semana. As duas primeiras etapas duram de quatro a seis meses, cada uma delas. Na terceira e última fase, a de manutenção, são liberados 500 mil mosquitos machos por semana.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre 1º de janeiro e 5 de julho deste ano, o país registrou 659.051 casos de dengue, total que é 52,5% menor que o do ano passado (1.388.776 notificações). A quantidade de mortes também diminuiu. Foram 249 óbitos entre 1º janeiro e 5 de julho deste ano contra 541 no mesmo período do ano passado.
Mosquito da dengue transgênico é macho, e se reproduz com fêmeas na natureza, gerando mosquitos que morrem antes da vida adulta (Foto: Eduardo Carvalho/G1)Mosquito da dengue transgênico é macho, e se reproduz com fêmeas na natureza, gerando mosquitos que morrem antes da vida adulta (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
Fonte:g1.globo

Barbatanas de tubarão são expostas em calçada de Hong Kong


Parte do animal é um alimento muito apreciado para fazer sopas na China.Ambientalistas condenam comércio, por ameaçar populações de tubarões.

Centenas de barbatanas de tubarão são expostas em via de Hong Kong, na China. (Foto: Dale de La Rey/AFP)

Imagens divulgadas nesta quinta-feira (31) mostram centenas de barbatanas de tubarão expostas em uma via de Hong Kong, na China, país que é um dos maiores mercados consumidores desta parte do animal, utilizada na gastronomia.

Um dos pratos mais comuns é a sopa de barbatana de tubarão, servida em banquetes de casamento e festas de empresas. No entanto, ambientalistas afirmam que a demanda crescente coloca sob pressão as populações de tubarão pelo mundo.
Hong Kong é considerada a "capital da barbatana de tubarão", mas ativistas ambientais defendem que o comércio dessa parte do peixe deixe de existir.
O tamanho e o aspecto da barbatana é o que importa na preparação da sopa. As dorsais são mais caras que as ventrais ou peitorais, mas a cauda também é bastante apreciada, segundo os vendedores. As partes do tubarão-tigre são as mais procuradas. De acordo com a medicina tradicional chinesa, comer barbatanas fortalece a saúde e os ossos.
No Brasil, já é proibida a prática do "finning", que consiste em pescar o tubarão, cortar sua barbatana e devolvê-lo ao mar, onde acaba morrendo.

A peça é utilizada para produção de sopas de barbatanas, mas tem ameaçado as populações de tubarões em todo o mundo (Foto: Dale de La Rey/AFP

Fonte:g1.globo.com


terça-feira, 22 de julho de 2014

Tratamento promissor contra o câncer usa parasita intestinal dos gatos

Tratamento-promissor-contra-o-câncer-usa-parasita-intestinal-dos-gatos-discovery-noticias
Foto: Centro do Câncer Norris Cotton, Centro Médico Dartmouth-Hitchcock
Um parasita presente nas fezes dos gatos é a base de um tratamento que combate o câncer em ratos de laboratório, incluindo melanomas agressivos e tumores no ovário, segundo testes preliminares.
O Toxoplasma gondii, um protozoário unicelular que se desenvolve no intestino dos felinos, pode provocar doenças em gatos e seres humanos. Mas os cientistas do Centro Médico de Dartmouth-Hitchcock encontraram uma forma de modificar o parasita, cuja nova “versão” teria uma impressionante ação anticancerígena.
“Descobrimos que este parasita é capaz de estimular as respostas imunológicas exatas para combater o câncer”, comenta David J. Bzik, professor de microbiologia e imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Dartmouth.
“A biologia desse parasita é diferente da de outros microorganismos de uso terapêutico, que mantêm contato apenas com a parte externa das células imunológicas”, explica a pesquisadora-associada Barbara Fox. “Ao ganhar acesso ao interior das células imunológicas, essa cepa modificada do T. gondii reprograma a ação natural do sistema imunológico para destruir células tumorais e cancerosas”.
O parasita mutante foi apelidado de CPS. Testes de laboratório mostram que ele não se reproduz dentro do organismo. Mesmo se o sistema imunológico do receptor estiver debilitado, como acontece com frequência durante a quimioterapia, o CPS ainda preserva sua ação anticancerígena.
“Os cânceres agressivos são como trens em alta velocidade,” compara Bzik. “O CPS é como um super-herói microscópico, que detém o avanço dos trens e os encolhe até fazê-los desaparecer”.
Durante os testes de laboratório, Bzik e seus colegas usaram o CPS para tratar casos extremamente agressivos de melanoma e câncer ovariano em ratos, que apresentaram um índice de sobrevivência sem precedentes.
Outra característica notável desta nova arma contra o câncer é que o CPS pode ser adaptado a um paciente específico.
“Nos futuros tratamentos clínicos, acreditamos que os parasitas poderão ser inseridos em células isoladas do paciente. As células ‘Cavalo de Troia’, contendo o CPS, seriam injetadas como uma vacina imunoterapêutica, gerando as reações necessárias para erradicar as células cancerosas e proporcionar imunidade duradoura contra recidivas da doença”.
Os pesquisadores ainda tentam entender por que o CPS é tão eficiente, e continuarão a analisar seus mecanismos e alvos moleculares.
“A imunoterapia com CPS é incrivelmente promissora na criação de novos tratamentos e vacinas contra o câncer”, conclui Bzik.
Se depender dos avanços da ciência nesse campo, as futuras gerações talvez vejam as ninhadas de gatinhos sob uma ótica inteiramente nova.
 Fonte: noticias.discoverybrasil.uol.com.br

Somália: à beira de nova crise de fome, alertam ONGs

















A Somália, que há três anos viveu uma crise de fome que deixou mais de 250 mil mortos, está à beira de uma novacatástrofe devido à seca na região, que só pode ser evitada por meio de ajuda humanitária urgente, alertaram neste domingo (20) organizações não governamentais (ONGs).

O alerta foi lançado pelo Consórcio de Organizações Não Governamentais da Somália, que inclui 19 instituições locais e internacionais, entre as quais a Action contre la Faim (ACF), Acted, Oxfam, Solidarités International ou World Vision. O comunicado também chama a atenção sobre a falta de fundos para ajudar a evitar a crise.

"Os sinais de seca reapareceram na Somália […] e não devem ser ignorados para evitar a voltar a cair nas mesmas condições que levaram à catástrofe de 2011", informou a nota. As ONGs apelaram a uma ajuda urgente e que se prolongue pelos próximos três a seis meses, afirmando que constam menos de 30% dos fundos necessários para fazer face à atual crise na Somália.

No dia 20 de julho de 2011, há três anos, quando uma das piores secas em 50 anos afetou mais de 10 milhões de pessoas na região do Chifre da África, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou estado de fome em diversas regiões da Somália, onde a situação de guerra e o caos permanente, desde 1991, agravaram a catástrofe climática.

Os seis meses de fome, que se estenderam em todo o país, fizeram quase 260 mil mortos, metade dos quais crianças com menos de 5 anos de idade, uma das piores fomes no mundo nos últimos 25 anos
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Carne bovina é dez vezes mais custosa ao meio ambiente, diz estudo

Criação de gado bovino demanda mais recursos naturais que demais culturas.

Estudo foi publicado nesta semana na revista científica 'PNAS'.

A carne de gado bovino é o segundo produto na composição do PIB, e a maioria dos municípios paraenses tem a pecuária como principal atividade. (Foto: Cristino Martins/O Liberal)Produção de gado bovino demanda de mais recursos naturais, como terra e água, que outras culturas (Foto: Cristino Martins/O Liberal)


O gado bovino demanda 28 vezes mais terra e 11 vezes mais irrigação que os suínos e as aves, e uma dieta com sua carne é dez vezes mais custosa para o meio ambiente, segundo um estudo publicado esta semana pela revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a "PNAS".
A equipe observou as cinco fontes principais de proteínas na dieta dos americanos: produtos lácteos, carne bovina, carne de aves, carne de suínos e ovos. O propósito era calcular os custos ambientais por unidade nutritiva, isto é uma caloria ou grama de proteína. A composição do índice encontrou dificuldades dada à complexidade e variações na produção dos alimentos derivados de animais.
Por exemplo, o gado pastoreado na metade ocidental dos Estados Unidos emprega enormes superfícies de terra, mas muito menos água de irrigação que em outras regiões, enquanto o gado em currais e alimentado com ração consome principalmente milho, que requer menos terra, mas muito mais água e adubos nitrogenados.
A informação que os pesquisadores usaram como base para seu estudo proveio, majoritariamente, dos bancos de dados do Departamento de Agricultura.
Os insumos agropecuários levados em consideração incluíram o uso da terra, da água de irrigação, das emissões dos gases que contribuem ao aquecimento atmosférico, e do uso de adubos nitrogenados.
Carne 'cara'
Os cálculos mostraram que o alimento humano de origem animal com o custo ambiental mais elevado é a carne bovina: dez vezes mais alto que todos os outros produtos alimentícios de origem animal, inclusive carne suína e de aves. "O gado requer, na média, 28 vezes mais terra e 11 vezes mais água de irrigação, emite cinco vezes mais gases e consome seis vezes mais nitrogênio que a produção de ovos ou carne de aves", indica o estudo.
Por seu lado, a produção de carne suína ou de aves, os ovos e os lácteos mostraram custos ambientais similares. Os autores se mostraram surpreendidos pelo custo ambiental da produção de lácteos, considerada em geral menos onerosa para o ambiente.
Se for levado em conta o preço de irrigação e os adubos que se aplicam na produção da ração que alimenta o gado bovino para ordenha assim como a ineficiência relativa das vacas comparadas com outros bovinos, o custo ambiental dos lácteos sobe substancialmente.
A pesquisa foi conduzida por Ron Milo do Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot (Israel), com a colaboração de pesquisadores do Centro Canadense de Pesquisa de Energias Alternativas, do Conselho Europeu de Pesquisa, e Charles Rotschild e Selmo Nissenbaum, do Brasil.

Fonte: g1.globo.com