sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Espécies recém-descobertas passam décadas em gaveta de museu

Pesquisadores franceses especialistas em biodiversidade fizeram uma conta nada animadora: em média, passam-se mais de 20 anos entre a descoberta de uma espécie e sua descrição, ou seja, o "batismo" formal com um nome científico.

O dado, que está em artigo recente na revista científica "Current Biology", dá uma medida do tamanho do atraso que afeta o conhecimento sobre a diversidade de espécies do planeta.

A equipe francesa, liderada por Benoît Fontaine, apelidou essa demora de "shelf life" ("vida na prateleira", por analogia com o tempo que os produtos duram nas prateleiras do supermercado ou da despensa).

Nesse andar da carruagem, segundo o estudo, seriam necessários muitos séculos para descrever todas as espécies que vivem na Terra -e, sem essa informação, fica difícil tomar decisões sobre conservação ou fazer estudos evolutivos bem embasados.

No estudo, os pesquisadores começaram com uma lista de 16.994 espécies descritas em 2007. Dessas, eles analisaram 600, de diferentes reinos, escolhidas ao acaso. Tiveram acesso à data de descoberta de 570 delas e calcularam a média do intervalo entre a descoberta e a descrição. O resultado: 20,7 anos entre as duas datas.

O biólogo Antonio Marques, do Departamento de Zoologia da USP, diz que essa demora se deve ao fato de que muitos espécimes, quando vão para os museus, ficam à espera de um pesquisador que possa analisá-los.

FATOR SORTE

"Há todo o trabalho de separação e triagem. Tem de dar sorte de que alguém que esteja trabalhando no museu tenha conhecimento do material e que depois possa descrevê-lo", explica.

O "tempo de prateleira" pode ser menor para espécies aquáticas e maior para espécies terrestres. Esse resultado surpreendeu os pesquisadores franceses, que dizem não saber como explicá-lo.

Marques diz que um organismo marinho é mais difícil e mais caro de ser catalogado e, por isso, é tratado com mais cuidado. "Ao chegar ao navio de pesquisa, o organismo já tem uma equipe pronta à sua espera", explica.

Há também um fator sociológico identificado pelo estudo: a divisão entre taxonomistas (especialistas em classificação) profissionais e não profissionais.

O "tempo de gaveta" de novas espécies descritas por profissionais é maior do que o das descritas por não profissionais. Segundo o estudo, muitos amadores trabalham de maneira pessoal, com projetos de menor escala e quantidades limitadas de espécimes coletadas.

"Entretanto, pelo fato de os amadores conseguirem o mesmo reconhecimento na descrição das espécies, eles devotam muito tempo a esse trabalho", diz o estudo.

Para os taxonomistas profissionais, por outro lado, a mera descrição não basta: eles ganham mais prestígio se fizerem estudos detalhados do relacionamento evolutivo entre as várias espécies, o que atrasa o trabalho.

Fonte: Folha de S. Paulo

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Cientistas descobrem gene da 'bebedeira'

Portadores de variação genética teriam maior propensão ao consumo exagerado de álcool.


Cientistas acreditam ter descoberto uma variação de um gene que incentiva o consumo exagerado de álcool em algumas pessoas.

O gene, conhecido como RASGRF-2, eleva o nível de substâncias químicas presentes no cérebro associadas à sensação de felicidade e acionadas com a ingestão de bebidas alcoólicas, informou a revista científica "PNAS".

A equipe de pesquisadores, formada por especialistas da Universidade King's College, de Londres, descobriu que animais que não possuíam a variação do gene tinham menos 'desejo' por álcool do que aqueles que apresentavam tal alteração.

O estudo também analisou exames de ressonância magnética dos cérebros de 663 adolescentes do sexo masculino.

Quando os pesquisadores questionaram os adolescentes sobre seus hábitos de consumo de álcool dois anos depois, descobriram que aqueles que tinham a variação do gene RASGRF-2 bebiam mais frequentemente.

Contudo, o responsável pelo estudo, Gunter Schumann, explicou que ainda não há provas contundentes de que o gene, sozinho, provocaria a compulsão alcoólica, uma vez que outros fatores ambientais e genéticos também estão envolvidos.

Ele ressaltou, por outro lado, que a descoberta é importante porque joga luz sobre os motivos pelos quais algumas pessoas tendem a ser mais vulneráveis ao álcool do que outras.

"Nosso estudo indica que talvez este gene regule a sensação de bem estar que o álcool oferece para determinados indivíduos", explicou.

"As pessoas buscam situações que provoquem tal sensação de 'recompensa' e deixem-nas felizes. Portanto, se o seu cérebro for condicionado a atingir tal estágio por meio do álcool, é provável que sempre procure essa estratégia afim de alcançar tal meta".

"Agora nós entendemos a cadeia da ação: como os genes moldam a função em nossos cérebros e como que, em contrapartida, isso afeta o comportamento humano".

"Nós descobrimos que o gene RASGRF-2 tem um papel crucial em controlar como o álcool estimula o cérebro a liberar dopamina e, em seguida, ativa a sensação de recompensa".

"Portanto, para as pessoas que têm a variação genética do gene RASGRF-2, o álcool lhes proporciona uma maior sensação de recompensa, levando-as a se tornar beberrões".

Schumann reiterou, entretanto, que mais provas são necessárias para comprovar sua hipótese. Ele alertou que o estudo analisou apenas adolescentes do sexo masculino e de uma determinada idade, o que dificultaria estabelecer tendências de consumo de bebidas alcoólicas ao longo prazo.

Ele disse que, no futuro, pode ser possível realizar testes genéticos para ajudar a prever quais pessoas estão mais propensas ao consumo excessivo de álcool.

As descobertas também abririam caminho a novas drogas que bloqueiam o efeito de recompensa que algumas pessoas têm após ingerir bebida alcoólica.

Por outro lado, Dominique Florin, da entidade britânica Medical Council on Alcohol, faz um alerta.

"É provável que haja um componente genético relacionado ao consumo exagerado de álcool, mas isso não quer dizer que se você tiver o gene, você não pode beber, enquanto se você não o tiver, você pode beber o quanto quiser".


Fonte: g1.globo.com

Ação liberta quase 400 tartarugas na região amazônica

Com apoio do Ibama e do ICMBio, policiais federais em Roraima utilizaram barcos de pesquisadores para surpreender caçadores.
Uma ação inédita que resultou na apreensão de quase 400 tartarugas vivas de espécies ameaçadas de extinção, entre elas a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), acaba de ser concluída pela Superintendência da Polícia Federal (PF) em Roraima.

Os animais seriam vendidos em Boa Vista e, principalmente, em Manaus. A carne da tartaruga é apreciada na região amazônica. O consumo aumenta no Natal, pois é hábito local preparar na ceia pratos à base de tartaruga.
A quantidade de animais encontrados e a crueldade com que eram tratados pelos caçadores, chamados de tartarugueiros, surpreendeu os dois delegados e seis agentes federais deslocados para a região do Baixo Rio Branco, afluente do Rio Negro, formador do Rio Amazonas.

As maiores tartarugas, com peso entre 50 kg e 65 kg e idade presumida de 100 anos, ficavam fora da água, com o casco para baixo, imobilizadas. As menores, amontoadas às dezenas em currais improvisados na mata, estavam sem acesso a alimento e água.
A equipe da PF, que teve o apoio de um profissional do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e outro do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), devolveu ao Rio Branco e afluentes 362 tartarugas vivas. Foram achados 16 animais mortos em consequência dos maus-tratos.
Os policiais queimaram sete embarcações, grande quantidade de redes de pesca e material variado em acampamentos abandonados às pressas pelos tartarugueiros. Sete deles foram presos, mas já estão soltos, após pagamento de fiança no valor de 1 salário mínimo.
A expedição partiu de Boa Vista em embarcação utilizada por pesquisadores, jamais por fiscais e policiais. A intenção era manter sigilo, já que a presença de grupos de fiscalização costuma ser rapidamente disseminada ao longo do Rio Branco.

A estratégia foi vitoriosa. Os tartarugueiros foram surpreendidos em vários trechos ribeirinhos, na altura dos municípios de Caracaraí e Rorainópolis, em margens opostas do rio. São áreas no sul de Roraima, quase na divisa com o Amazonas, que deveriam ser de acesso restrito, pois banham dois santuários naturais, o Parque Nacional do Viruá e a Estação Ecológica de Caracaraí.
Batizada de Operação Pimenta - homenagem a José Santos, o Zé Pimenta, um estudioso dos quelônios da Amazônia, assassinado em 2006 por tartarugueiros -, a ação foi realizada em duas etapas. A última delas, de oito dias, terminou anteontem.

Extinção - Chefe do grupo de policiais que percorreu o Baixo Rio Branco, o delegado Alexandre Saraiva, superintendente da PF no Estado, previu que, no ritmo atual da caça clandestina, a tartaruga-da-amazônia estará extinta naquela região em, no máximo, 20 anos. Nas redes de malha grossa, os "capa-sacos", também ficam presos botos e peixes maiores, o que torna a mortandade ainda maior.

"A tartaruga-da-amazônia e o tracajá são espécies condenadas, pois os caçadores pegam, além dos animais, os ovos, para consumo próprio. Recolhemos 700 ovos nos acampamentos dos criminosos. Aquilo é terra de ninguém", declarou o delegado.

Nesta época do ano, as tartarugas estão "assoalhando", expressão empregada na região para designar a procura dos melhores bancos de areia, os tabuleiros, para desovar. Daí a facilidade com que os caçadores localizam os ovos, já que as desovas ocorrem nos tabuleiros mais altos, escolhidos pelos animais por ficarem mais longe da água.
Maus-tratos - A tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) e o tracajá (Podocnemis unifilis) constam em anexos da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites) como animais ameaçados. Captura, posse, transporte e comércio são proibidos por lei federal. A Cites é um dos acordos ambientais mais importantes do planeta. O Brasil é signatário desde 1975.
A população de quelônios amazônicos "vem declinando ano após ano, tendo por principal causa a captura em grande quantidade para fins de atender o mercado ilegal de carnes exóticas", acusa o relatório da Operação Pimenta.
As investigações indicam que, em Manaus, cada tartaruga-da-amazônia custa, inteira, R$ 500. Só o lote localizado pelos agentes federais poderia render aos traficantes de animais perto de R$ 400 mil. O que torna a caça das tartarugas mais grave é que os animais adultos podem desovar de 100 a 150 ovos, uma vez por ano, o que mantém "em níveis equilibrados a população das tartarugas-da-amazônia na região do Baixo Rio Branco", informa o relatório da Superintendência da PF.

As tartarugas "sofrem intenso estresse", continua o documento. "As tartarugas pequenas, tracajás e outras espécies menores são depositadas em cercados temporários em grande quantidade, uma em cima da outra, privadas de água e alimento, no meio da lama e excrementos dos próprios animais. As adultas e corpulentas também são privadas de água e alimentos e são viradas de costas para baixo, posição em que (....) não conseguem se desvirar sozinhas em terra e que acarreta sofrimento, pois, por causa de seu grande peso corporal e ausência de esqueleto interno, as vísceras, órgãos e músculos se descolam para baixo, comprimindo o pulmão do animal, causando asfixia, que muitas vezes leva a óbito", diz o texto.

(O Estado de São Paulo)

Estudo indica que pesca recreativa afeta evolução de peixe

A pesca recreativa em pesqueiros está afetando a evolução de uma espécie de peixe segundo estudo feito nos EUA. Os peixes com melhor potencial reprodutivo também são os mais vulneráveis a serem fisgados com um anzol.

A perca americana (Micropterus salmoides) é uma espécie na qual o macho protege os ovos e os filhotes. Ele faz um "ninho" onde a fêmea coloca os ovos para serem fertilizados. O macho fica tomando conta dos ovos, abanando-os, e depois protege os alevinos por várias semanas. É um dos peixes mais comuns em pesqueiros americanos.

A equipe de David A. H. Sutter, da Universidade de Illinois, Urbana, Illinois, testou machos que foram artificialmente produzidos para ter maior ou menor vulnerabilidade a serem pescados com anzol.

Os peixes mais agressivos tendem a ser pescados mais porque defendem o ninho com mais intensidade e têm a tendência de atacarem mais as iscas.

Os pesquisadores testaram a hipótese de que, em idênticas condições ecológicas, os peixes mais vulneráveis à pesca teriam maiores índices de sucesso reprodutivo. Fizeram os testes em lagos artificiais com 48 peixes das duas variedades, 45 dos quais receberam ovos das fêmeas em seus ninhos.

Os machos mais vulneráveis passaram uma parcela de tempo maior defendendo os ninhos, enquanto os menos vulneráveis passaram mais temo longe do ninho. Os mais vulneráveis também eram significativamente mais agressivos, atacando potenciais predadores na forma de iscas sem anzol o dobro de vezes.

Eles testaram geneticamente 1.189 filhotes e notaram que 740 (62%) eram criado dos machos mais vulneráveis à pesca e 449 (38%) dos menos vulneráveis.

"Nosso estudo mostrou conclusivamente que a pesca pode atingir aqueles indivíduos que possuem o maior potencial de aptidão reprodutiva, portanto estabelecendo o potencial de seleção de traços de comportamento que ajudam um peixe a escapar da captura, mas no processo diminuir suas habilidades de cuidado parental", escreveram os autores do estudo na revista científica "PNAS".

Eles dizem que o estudo tem com consequências práticas eventuais na qualidade de um pesqueiro, com o cenário evolutivo selecionando peixes com menor capacidade de reprodução e mais esquivos.

Fonte: Folha de S. Paulo

Redução de savanas na África ameaça vida de leões, aponta estudo

Em pouco mais de 50 anos, população de leões caiu 68%.
Avanço demográfico sobre reservas seria um dos principais problemas.


As savanas da África e os leões que vivem ali estão desaparecendo a um ritmo alarmante, com uma redução de dois terços nos últimos 50 anos, segundo estudo publicado nesta semana.

A partir de informações obtidas via satélite, pesquisadores da Universidade Duke, no Reino Unido, descobriram que apenas 32 mil leões vivem agora nas savanas do continente, em comparação com os cerca de 100 mil que habitavam ali em 1960 (uma queda de 68%).

A redução foi particularmente extrema na África ocidental, onde as populações humanas dobraram nas últimas três décadas, segundo estudo publicado na revista "Biodiversity and Conservation". A pesquisa sustenta que menos de 500 leões permanecem na região.

"Só resta 25% de um ecossistema que antes era um terço maior do que o território continental dos Estados Unidos", disse Stuart Pimm, da Escola Nicholas de Meio Ambiente da Universidade de Duke, do Reino Unido.

O cientista explicou que a queda se devia à mudança no uso do solo e ao desmatamento realizado pela crescente população humana que invade o habitat dos leões.

     

Leões africanos perderam parte de seu habitat nos últimos anos, aponta estudo (Foto: Arquivo/Carley Petesch/AP)Leões africanos perderam parte de seu habitat nos últimos anos, aponta estudo (Foto: Arquivo/Carley Petesch/AP)

Pimm e seus colegas mapearam as áreas que ainda são favoráveis para a sobrevivência dos leões mediante a utilização de imagens via satélite do Google Earth, informação sobre a densidade da população humana e estimativas sobre a população de leões.

Os pesquisadores descobriram que apenas 67 extensões de savana ao longo do continente, definidas como áreas que recebem entre 25 e 150 centímetros de chuva anual, tem densidade populacional e impacto humano suficientemente baixos para permitir a vida dos leões.

Por outro lado, apenas 10 destas áreas são consideradas "fortalezas", onde os leões têm chances excelentes de sobreviver, muitas delas em parques nacionais.


Fonte: g1.globo.com